Para mudar o valor da célula para "0", é necessário um processo curioso chamado tunelamento de Fowler-Nordheim. O tunelamento é usado para alterar a localização dos elétrons na porta flutuante. Uma tensão elétrica, geralmente entre 10 e 13 volts, é aplicada à porta flutuante. A corrente vem da coluna, ou bitline (linha de bits), entra na porta flutuante e é drenada para a fonte.
A carga faz o transistor da porta flutuante agir como um canhão eletrônico. Os elétrons com carga negativa são empurrados para o outro lado da camada de óxido, que adquire uma carga negativa, e ali ficam presos. Os elétrons formam uma barreira entre a porta de controle e a porta flutuante. Um dispositivo chamado de sensor de célula monitora o nível da corrente que passa pela porta flutuante. Se o fluxo através da porta for maior do que 50% da carga, ela tem valor "1". Se a carga que passa está abaixo do limite de 50%, o valor muda para "0".
Os elétrons nas células de um chip de memória Flash podem ser restaurados ao normal ("1") através da aplicação de um campo elétrico, uma tensão mais alta. A memória Flash usa um circuito interno para criar este campo elétrico no chip inteiro ou em setores pré-determinados conhecidos como blocos. Isto apaga a área-alvo do chip, que pode então ser regravada. A memória Flash funciona muito mais rápido do que os chips EEPROM (electrically erasable programmable read-only memory, ou memória apenas de leitura programável e apagável eletricamente) porque, ao invés de apagar um byte por vez, apaga um bloco ou o chip inteiro.