Tetraplegia completa: paralisia física do pescoço para baixo que pode resultar de lesões na espinha ou de doenças como a esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como Mal de Lou Gehrig. Os pacientes se tornam totalmente dependentes de outras pessoas, e muitas vezes se sentem isolados porque perdem a capacidade da fala. A maioria de nós nem repara na capacidade de caminhar de uma sala para outra, mas para as pessoas com sérias deficiências de locomoção, mesmo ações cotidianas como essa podem requerer assistência de terceiros.
![]() NASA Ames Research Center, Dominic Hart Chuck Jorgensen, cientista da Nasa, testa um dispositivo de reconhecimento de fala subvocal |
Imagine, assim, que uma pessoa completamente paralítica ganhe a capacidade de controlar completamente uma cadeira de rodas motorizadas pelo pensamento. Contornando os nervos danificados, um sistema como esse abriria às pessoas deficientes novos caminhos para a independência. Neste artigo, examinaremos uma empresa que está trabalhando para transformar essa hipótese em realidade. Também descobriremos de que maneira a mesma tecnologia poderia restaurar a fala de pessoas incapazes de falar.
Sempre que alguém executa uma ação física, os neurônios do cérebro geram minúsculos sinais elétricos. Esses sinais são transmitidos do cérebro pelos axônios e dendritos, e percorrem o sistema nervoso. Quando chegam à área desejada do corpo, neurônios motores ativam os músculos necessários para completar a ação.
Quase todos os sinais passam por feixes de nervos localizados na espinha, antes de se encaminharem a regiões diferentes do corpo. Quando a medula espinhal é danificada severamente ou rompida, a interrupção no sistema nervoso impede que os sinais cheguem aos lugares que precisam atingir. No caso de doenças neuromusculares, os neurônios motores deixam de funcionar - os sinais continuam a ser enviados, mas não existe maneira de o corpo traduzi-los em ações físicas reais.
Como podemos resolver o problema de um sistema nervoso defeituoso? Uma maneira seria interceptar os sinais do cérebro antes que eles sejam interrompidos pelo bloqueio na medula espinhal ou por neurônios degenerados. Essa é a solução que será colocada em uso pela cadeira de rodas controlada pelo pensamento.
O físico Stephen Hawking sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Hawking sofre de paralisia quase completa, mas retém controle muscular suficiente para que possa apertar um botão com a mão direita. Uma tela de computador (em inglês) exibe uma série de ícones que permitem o controle de sua cadeira de rodas, portas e eletrodomésticos (em inglês) em sua casa. Ele pode selecionar itens na tela pressionando o botão quando o cursor passa pela área desejada. Hawking fala de maneira semelhante. A tela exibe o alfabeto, com um cursor que se move sobre ele. O físico pressiona o botão na letra que deseja. Assim que constrói uma sentença, ele pode enviar o texto ao sintetizador de voz integrado à sua cadeira. A capacidade de Hawking de mover um dedo em sua mão direita o diferencia de muitas outras vítimas de paralisia ou doenças, que perdem toda capacidade de se comunicar ou interagir com sistemas de controle. |