Um centavo por página

Um mecanismo possível para se criar um modelo de rendimento fácil e sustentável para os sites tem um nome muito simples: um centavo por página.

Funcionaria assim: digamos que você acesse o Google para fazer uma busca, a CNN para ler sobre o Afeganistão ou a Amazon para comprar um livro. Toda vez que uma pessoa visualizar qualquer página na Internet, pagará um centavo. O site receberá esse centavo, simples assim.

Com o modelo de um centavo por página, em cinco anos veríamos incríveis mudanças na Internet. Abaixo, veremos quatro exemplos.

Exemplo 1: Um site de busca
O Google.com recebe atualmente cerca de 100 milhões de visualizações de página por dia. Com um centavo por página, o Google faria US$ 1 milhão por dia, algo em torno de US$ 350 milhões por ano.

US$ 350 milhões fariam diferença ao Google? Do ponto de vista empresarial, obviamente sim. Mas pense sob o ponto de vista de desenvolvimento. O Google é indiscutivelmente o melhor site de busca disponível atualmente, mas apenas arranha a superfície do que um site de busca poderia ser. Imagine o que o Google poderia se tornar se pudesse investir US$ 200 milhões por ano em desenvolvimento de novos softwares. Em cinco anos, suas habilidades (ou as de um concorrente) seriam surpreendentes.

Sem um centavo por página, o Google ainda vai melhorar, mas em um passo muito mais lento. É preciso haver dinheiro para apoiar o desenvolvimento de novas características e, neste exato momento, o dinheiro não está disponível de forma significativa. Então é uma troca: "free" (grátis) é provavelmente a palavra mais amada na língua inglesa; mas ao não pagar o Google pelo seu uso, estamos efetivamente negando a nós mesmos os crescentes benefícios que nosso pagamento traria.

Veja a objeção nº 3 nesta página para informações adicionais sobre o Google.]

Exemplo 2: sites de conteúdo
Imagine o que um centavo por página representaria para:

  • CNN (ou qualquer outro site de notícias)
  • The New York Times (ou qualquer outro site associado a um jornal ou rede de TV)
  • ESPN (ou qualquer outro site esportivo)
  • Britannica (ou qualquer outro site de "referências")
  • Salon (ou qualquer outro site de revista)
  • The Motley Fool (ou qualquer outro site financeiro)
  • NASA (ou qualquer outro site governamental fornecendo toneladas de conteúdo)
A lista é interminável. Todos estes sites receberiam receitas significativas de um centavo por página. Eles poderiam então produzir imensas quantidades de conteúdo a um passo surpreendente e ter um incentivo financeiro para continuar produzindo mais e mais. Outros milhões de sites começariam a surgir e todos teriam que contratar pessoas. O efeito que a receita da Internet teria na economia, e no tipo e quantidade de conteúdo colocado na Internet, seria significativo.

Exemplo 3: sites especializados
Imagine uma pessoa especializada em alguma área. A pessoa pode saber qualquer coisa, de análise financeira e paisagismo a consertos de automóvel, não importa. Hoje, a pessoa tem duas opções:

  • ela pode escrever um livro, levá-lo a uma editora e publicá-lo. Essa pessoa irá receber um percentual pelos direitos intelectuais de aproximadamente 10% do preço de atacado;
  • ela pode publicar a informação na Internet e não receber nada.
Nenhuma destas opções funciona muito bem para uma pessoa com especialização. Escrever um livro envolve muito trabalho e não garante que o editor irá aceitá-lo. A editora ainda fica com 90% da receita. Publicar na Internet não exige uma editora e ainda proporciona publicações adicionais - o especialista pode escrever e publicar um pouco a cada dia, mas não ganha nada por seu esforço.

Com um centavo por página, milhões de pessoas mundo afora seriam capazes de publicar informação e ganhar dinheiro. Editoras convencionais também teriam uma razão para disponibilizar na Internet os livros existentes. A quantidade de informações na Internet irá explodir.

[* Uma pergunta bem comum: por que o autor de um livro recebe apenas 10%? Não é porque as editoras são "más" ou "gananciosas", mas devido à maneira que os livros são publicados. Para editar, criar o layout, imprimir (milhares de cópias), pagar custos de depósito, colocar no mercado e distribuir um livro, o mínimo que uma editora irá gastar é aproximadamente US$ 100 mil. Muitos livros custam muito mais do que isso para chegar às prateleiras das livrarias. É um custo muito alto de entrada por título.

Como uma regra geral, menos da metade dos livros publicados são capazes de resgatar esse valor. A editora arca com todos esses custos e ainda paga os direitos autorais, na esperança de que darão lucro. Depois de considerados todos os custos, tudo o que sobra são 10% para pagar aos autores e ainda assim manter um negócio lucrativo.

Exemplo 4: boas idéias
Imagine uma pessoa ou pequena empresa com uma boa idéia para implementar na internet. A pessoa tem de dedicar muito tempo (possivelmente centenas de horas) para desenvolver a idéia e então pagar uma empresa de hospedagem de sites como servidor. Infelizmente, não há como fazer dinheiro com a idéia. A falta de receita significa que milhares de boas idéias, que seriam muito benéficas a usuários da Internet, por enquanto não serão implementadas. É uma perfeita equação para estagnação.