Mudando a cultura

O que as pessoas irão pensar da idéia de pagar um centavo por página? As pessoas não vão reclamar de ter que pagar pela Internet?

Qualquer um que acessa a rede paga uma taxa mensal a um provedor de acesso pelo privilégio. Uma conta da AOL, por exemplo, custa cerca de US$ 20 por mês. O MSN e a Earthlink custam mais ou menos o mesmo. As pessoas nos Estados Unidos já estão pagando pela Internet; mas os sites, razão pela qual as pessoas acessam a rede, não recebem nada.

As pessoas reclamarão de pagar um pouco mais por mês no modelo de um centavo por página? Atualmente as pessoas pagam pela TV a cabo, jornais, revistas, ligações telefônicas, auxílio à lista, fitas de vídeo, ingressos de cinema, DVDs, pay-per-view, CDs, livros, toques para celular, serviços 0300, cursos universitários...

O fato de não pagarmos pela internet é uma anomalia histórica. Os benefícios a serem obtidos pelo pagamento de uma pequena quantia de dinheiro pelo conteúdo online são enormes. Atualmente, as pessoas estão se negando as muitas maravilhas que a Internet poderia oferecer devido à "total gratuidade" da rede mundial.

Uma das razões para escolher uma abordagem tão simples como um centavo por página é o fato de ser uma quantia muito pequena de dinheiro. Abaixo, quatro exemplos para ilustrar a questão.

  • Se você está buscando informações sobre desfibriladores portáteis, vale a pena pagar um centavo para ter os 10 resultados mais relevantes do Google?
  • Se você está pensando em comprar um livro, vale pagar um centavo à Amazon para que ela lhe deixe ver a opinião de 10 leitores que compraram o livro no qual você está interessado?
  • Se você está fazendo um trabalho de conclusão sobre o Afeganistão, vale pagar um centavo poder acessar a Britannica (em inglês) para encontrar a história do país?
  • Se você precisa do telefone de alguém ou do mapa até a casa de alguém, vale pagar um centavo para encontrar essas informações no PeopleSearch (em inglês) ou no MapQuest? (em inglês).
São perguntas ridículas, é claro que vale um centavo. Hoje você provavelmente paga cerca de um dólar para conseguir o telefone de alguém pelo auxílio à lista telefônica. Um centavo é uma incrível pechincha.

Isso também não dará muito por mês. Pessoas que acessam a rede para verificar o valor de ações, ver informações climáticas, ler as principais notícias e assim por diante devem acessar de 25 a 50 páginas por dia. Elas pagariam entre US$ 5 e US$ 15 por mês pelo conteúdo online. Mas consideremos também o pior cenário possível. Digamos que você se sentou à frente do computador durante 8 horas por dia e olhou uma nova página a cada dois minutos, sem interrupção, 20 dias por mês. Isso custaria US$ 48 por esse mês. Esse é o pior dos casos, é pouco provável que alguém faça isso. O custo seria mínimo para praticamente todo mundo.

Valor fixo
Algo importante a ser observado é que o centavo por página não é o único modelo de cobrança possível. O objetivo desse modelo é encontrar uma maneira de pagar aos sites diretamente por seu conteúdo, para que eles sobrevivam, prosperem e as pessoas tenham um incentivo para desenvolver novos sites. Uma alternativa seria o modelo de valor fixo.

Por exemplo, as pessoas podem pagar uma taxa fixa de US$ 10 ou US$ 20 por mês. Os sites não receberiam exatamente "um centavo por página", mas receberiam uma parte dos US$ 10 de cada usuário conforme o tráfego. Se 10% dos page views (visualizações de página) de um usuário foram para a CNN em um determinado mês, então a CNN receberia 10% da taxa paga pelo usuário naquele mês.

Essa abordagem responde à objeção chave que muitas pessoas têm em relação ao conceito de centavo por minuto: sua estrutura "sem fim". Os sites não receberiam um centavo por página, mas uma cota baseada no seu tráfego. Uma maneira extremamente fácil de implementar esse modelo seria os provedores de acesso coletarem US$ 10 dos usuários e distribuí-los aos sites baseando-se nas estatísticas de tráfego disponíveis aos provedores.