Perguntas e respostas

Um centavo por página é a quantia certa?
A abordagem de um centavo por página é extremamente fácil para todos compreenderem. Um centavo por página não representa uma grande barreira ao pagador e rende uma boa quantia ao site. Pode ser discutido que meio centavo funcionaria e a mesma coisa com dois centavos. A comunidade online deve pesar os números e decidir.

No modelo de valor fixo os usuários provavelmente pagariam uma taxa de US$ 10 a US$ 20 dólares por mês.

As visualizações de página são a unidade correta a ser utilizada para cobrança? Por que não cobrar pelo byte?
Se você escolher os bytes, verá pessoas dilatando imagens e fazendo todos os tipos de coisas malucas para dar um maior volume a seus sites.

Os sites não irão dividir seu conteúdo em um zilhão de páginas se receberem um centavo por página?
Provavelmente não. Os banners de propaganda já causaram todos os cortes possíveis. Se os sites dividirem demais, não terão repercussão e irão quebrar.

Por que a cobrança deve ser uniforme? Cada site não deveria poder estabelecer quanto cobrar por página?
Talvez, mas isso complica as coisas. Digamos que você esteja olhando para uma lista de páginas no Google e quer clicar em uma delas. Antes de clicar você tem de se lembrar de olhar atentamente para ter certeza de que o site não irá cobrar US$ 100 por página ao invés de um centavo. Se é um modelo de cobrança uniforme, você poderá clicar em qualquer página sem se preocupar com isso, exatamente como faz hoje.

O que fazemos sobre fluxo de dados de áudio e vídeo e arquivos MP3?
O fluxo de vídeo é algo único, pois consome uma largura de banda significativa. Um vídeo em streaming (fluxo de dados) de 300kbps consome cerca de 20 megabytes de largura de banda e pode custar de 10 a 20 centavos ao site para enviar ao usuário. Um modelo pay-per-view pode ser a abordagem correta. Ou talvez custe 10 centavos por fluxo. Com arquivos MP3, se os artistas recebessem direta e automaticamente 10 centavos cada vez que alguém baixasse uma de suas músicas, isso causaria uma inacreditável revolução musical.

O que impede que os sites utilizem uma página que abre 100 novas páginas quando você a acessa para arrancar um dólar de um visitante inocente?
O mecanismo de cobrança deve rastrear e eliminar a cobrança nesses casos, bem como para páginas que se atualizam automaticamente, erros e páginas não existentes, páginas alcançadas pelo botão voltar, páginas duplicadas e assim por diante.

As pessoas nos Estados Unidos tendem a preferir o modelo de pagamento por unidade. É possível haver um modelo de valor fixo com o centavo por página?
Como discutido nesta página, a cobrança por valor fixo seria extremamente fácil de ser implementada, já que há tanta rejeição ao conceito de centavo por página.

Respondendo a objeções
Leitores externaram variadas objeções à idéia de um centavo por página. Eis uma lista das objeções mais comuns, como respostas para cada uma delas.

Objeção nº 1 - Um centavo por página é impossível de ser implementado
Há variações nessa objeção que vão de "não há como rastrear o tráfego" e "não há como criar uma conta de cobrança" a "não há como coletar o dinheiro". Atualmente, os provedores, bem como os sites, possuem ferramentas consideravelmente boas que auxiliam a rastrear cada página visualizada pelo visitante. Uma terceira empresa também pode rastrear o tráfego. Veja, por exemplo, Hitbox.com (em inglês). Os provedores já cobram dezenas de milhões de pessoas mensalmente. A implementação é simples e natural.

Objeção nº 2 - Um centavo por página é uma invasão de privacidade
Muitas pessoas apontaram a objeção de que as empresas que efetuam a cobrança do centavo por página terão uma lista completa de todos os sites visitados pelo usuário e isso é uma violação de privacidade. A situação do centavo por página não é diferente da sua empresa telefônica tendo uma lista completa de cada ligação que você fez ou do seu cartão de crédito tendo uma lista completa das lojas nas quais você fez compras. Atualmente, é provável que o seu provedor e o seu empregador/escola já possua uma lista completa de cada página que você visitou.

Objeção nº 3 - Um centavo por página tornará impossível a pesquisa de sites por mecanismos de busca
A objeção aqui é que, mesmo que o Google faça muito dinheiro com a idéia de um centavo por página, terá de pagar ainda mais para pesquisar todos os sites. Há duas respostas possíveis para essa objeção:

  • o Google pesquisa em torno de 2 bilhões de páginas, mas ele não faz isso todos os dias. Digamos que o Google pesquise por todas esses 2 bilhões de páginas quatro vezes ao ano. Isso significa que o Google irá gastar US$ 80 milhões por ano para pesquisar a Internet, o que ainda é um pequeno valor comparado à arrecadação de US$ 350 milhões por ano (as arrecadações do Google estão descritas no exemplo desta página);
  • o Google pode cobrar dos sites para pesquisá-los. Os sites irão imediatamente receber o dinheiro de volta quando o resultado de pesquisa for clicado e gerar um centavo por página.

Objeção nº 4 - Países de terceiro mundo e outras pessoas menos favorecidas não poderão mais ter acesso gratuito à Internet
Essa é uma das objeções mais surpreendentes. O ponto central é "pessoas pobres e pessoas de países do terceiro mundo ficarão incapazes de acessar o conteúdo da Internet se tiverem que pagar por ele". Essa objeção negligencia o fato de que, para acessar a Internet:

  • as pessoas têm de pagar por seus computadores
  • as pessoas têm de pagar a companhia elétrica para poderem ligar seus computadores
  • as pessoas têm de pagar seus provedores de acesso para conectar seus computadores à Internet
Se não há problema para as pessoas pobres em pagar por todos esses itens, por que seria ruim para eles pagar pelo conteúdo?

A solução comum utilizada para dar acesso à Internet a indivíduos desfavorecidos é o acesso público gratuito. Bibliotecas, escolas e outras entidades públicas pagam pelos computadores, energia elétrica e acesso à Internet e oferecem tudo isso ao público sem cobrança. Essas mesmas entidades podem pagar também pelo conteúdo.

Objeção nº 5 - Um centavo por página é muito ilimitado
A preocupação é que usuários mais assíduos da Internet recebam uma conta de US$ 100 depois de um mês de intensa navegação. US$ 100 mil equivalem em 10 mil páginas. Se alguém está acessando 10 mil páginas de conteúdo, parece apropriado cobrar por isso, 10 mil páginas equivalem a aproximadamente 20 a 30 livros, o que pode variar de US$ 200 e US$ 600, dependendo do preço dos livros.

Uma outra solução é o valor fixo discutido anteriormente ou uma adição na conta mensal. Qualquer uma elimina essa objeção por completo.

Objeção nº 6 - Muitas páginas da Internet não valem um centavo
Uma grande preocupação são as páginas que aparecem em mecanismos de busca que contêm informações irrelevantes. "Por que eu deveria pagar por sites irrelevantes?" é a objeção. Uma solução fácil seria permitir ao usuário um page view (ou três, ou cinco, etc.) em um determinado domínio gratuitamente, com a opção de bloquear esse site no futuro. Nesse caso, o usuário não seria cobrado por visitar o site.

Objeção nº 7 - Será impossível conseguir com que os mil principais sites trabalhem conjuntamente e, sem eles, um centavo por página não funcionará
Esse é um ponto válido. Aparentemente seria difícil para sites de segunda linha cobrarem pelo conteúdo se os sites de primeira linha não o fizerem.

Objeção nº 7a - Caso você consiga que os principais sites cooperem, eu não irei mais visitá-los depois que eles começarem a cobrar pelo conteúdo. Ao invés disso, visitarei outros sites.
Uma pequena mas expressiva minoria menciona a ameaça "eu NUNCA pagarei por conteúdo!" constantemente. Abaixo, dois importantes fatores que devem ser levados em consideração a respeito dessa minoria:

  • se os mil principais sites começarem a cobrar pelo conteúdo, então praticamente todos os outros sites irão pegar carona para garantir a sua fatia do bolo. Nesse ponto, a minoria não-pagante não teria sites para acessar. Novos sites gratuitos poderiam então surgir. Entretanto, esses novos sites não seriam capazes de gerar nenhuma renda para sustentá-los, então sua contribuição para a Internet seria mínima. Além disso, assim que alcançassem um volume crítico, também iriam aderir ao sistema de centavo por página para sustentar as operações;

  • há uma pequena minoria de pessoas que se recusa a pagar. São as mesmas pessoas que se recusam a pagar serviços a cabo (ou os roubam) e que não possuem telefones em suas casas. Se você observar, no entanto, a penetração que as indústrias de serviços a cabo e telecomunicações têm atingido, perceberá quão pequena é a minoria que diz "eu nunca irei pagar".

Objeção nº 8 - Um centavo por página é muito caro para empresas e escolas
Vamos pegar as escolas como exemplo. Escolas primárias e de segundo grau gastam atualmente bilhões de dólares em livros para os seus alunos. Um único livro universitário custa normalmente US$ 50 e os estudantes têm de pagar por eles a cada semestre. Nesse contexto, US$ 10 a US$ 20 por mês, por aluno, é uma pechincha.

Objeção nº 9 - Um centavo por página irá fazer com que enormes empresas de mídia comprem todos os bons sites
Um comentário típico: "Mais preocupante é a possibilidade de a Murdoch, a Turner e alguns outros grandes magnatas dos meios de comunicação comprarem todos os bons sites assim que eles possam fazer dinheiro com eles". Se isso fosse uma preocupação, a Murdoch, a Turner, etc. poderiam comprar a Internet inteira agora mesmo, porque os sites possuem pouco ou nenhum valor, é impossível fazer dinheiro com eles. Se os sites gerassem receita, isso daria a seus criadores uma forma de se manter funcionando. Se grandes empresas de mídia quisessem comprar os sites, pelo menos os criadores teriam poder de negociação e uma forma de competir.

Objeção nº 10 - Os sites que precisam ganhar dinheiro podem simplesmente cobrar de seus leitores utilizando um modelo de assinatura normal.
Essa não é uma abordagem válida e isso está acontecendo cada vez mais. Por exemplo, você pode obter assinaturas para:

  • The Wall Street Journal - US$ 60 por ano para as notícias financeiras
  • Britannica - US$ 8 por mês por uma enciclopédia online
  • Salon - US$ 30 por ano por uma revista online
  • Yaga - US$ 10 por mês por filmes, música, livros eletrônicos e jogos
  • Questia - US$ 20 por mês por uma biblioteca online
Digamos que o Yahoo, a CNN, o Google e centenas de outros sites seguissem esse caminho. Apenas 5 dos sites citados acima custariam por volta de US$ 500 por ano e lhe fariam perder tempo criando sua assinatura para cada um deles individualmente. O custo da assinatura de dezenas de sites iria movimentar milhares de dólares por ano. No processo, isso tornaria as buscas gerais na Internet impossíveis.

Faz muito mais sentido ter um modelo geral, como o centavo por página, onde existe apenas uma cobrança para toda a navegação.

Neste momento, a "navegação gratuita" está se virando contra aqueles que a defendem. Isso está sufocando novos sites e levando sites existentes a fecharem as portas.