Em 2001, o governo brasileiro iniciou estudos para regulamentar o uso de certificados digitais no país, de modo que as transações online entre os vários órgãos públicos e seus fornecedores pudessem ter valor legal, permitindo maior agilidade no processo de compras e a diminuição de custos com uso, gerenciamento e armazenamento de documentos oficiais sigilosos ou não. A partir da Medida Provisória 2.200-2, de 24 de outubro de 2001, foi criada a ICP-Gov, que mais tarde expandiu-se dos órgãos públicos para a iniciativa privada e transformou-se na ICP-Brasil, a atual estrutura hierárquica de autoridades certificadoras ligadas ao governo brasileiro. Somente as transações realizadas com certificados emitidos por autoridades credenciadas na ICP-Brasil têm validade jurídica reconhecida no país.
Hoje, bancos utilizam a certificação digital no Sistema de Pagamentos Brasileiro, principalmente nas transações entre eles. Instituições autorizadas a operar no mercado cambial podem usar a assinatura digital nos contratos de câmbio. No Judiciário, há processos totalmente eletrônicos, com advogados e juízes usando o certificado digital e-Doc em todas as etapas. Universidades controlam os bolsistas do ProUni com certificado digital. O resultado disso, segundo usuários, é ganho de tempo, economia e segurança. Apenas alguns países utilizam certificados digitais com os mesmos propósitos do Brasil.
"Na maioria dos países, os certificados não seguem um protocolo
único de segurança", conta Viviane Regina Lemos Bertol, coordenadora
geral de normalização e pesquisa do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), autarquia federal vinculada à Casa Civil da Presidência da República.
"Há dificuldades inter-relacionais e em muitos casos o certificado não
tem valor legal". Segundo Bertol, o Brasil se baseou em países com uma
estrutura única de certificação, em que o governo tem o controle de
toda a cadeia de regulamentação para que a certificação funcione
corretamente.
Uma das principais características da ICP-Brasil é
sua estrutura hierárquica. No topo da estrutura encontra-se a
Autoridade Certificadora Raiz (AC Raiz) e, abaixo dela, as diversas
entidades (ACs de primeiro e segudo nível e Autoridades de Registro).
Na ICP-Brasil, a AC Raiz é o ITI, que é responsável pelo credenciamento dos demais participantes da
cadeia certificadora, pela emissão de seu próprio par de chaves e pela
supervisão de todos os processos que envolvem a certificação.
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