Reciclando velhos computadores

Reciclar velhos computadores é algo que pode ser realizado se as pessoas seguirem os canais devidos e válidos. A tendência de reciclagem está em alta e o mercado tende inevitavelmente a começar a responder. Os fabricantes estão recolhendo alguns dos velhos eletrônicos junto aos clientes e os reciclam ou os reformam (em inglês). Algumas empresas estão aperfeiçoando seus produtos de modo que contenham menos toxinas desde o primeiro passo da fabricação; outras estão sendo forçadas a fazê-los por regulamentação governamental. Centros legítimos de reciclagem de lixo eletrônico, com instalações locais de processamento, também estão surgindo em diversas localidades.

Mas a triste realidade é que, por muitos anos e ainda hoje, muitas das operações que se diziam de reciclagem, na verdade, são apenas pontos de coleta. Aparelhos e componentes eletrônicos recolhidos são vendidos a corretores de resíduos, que embarcam esse material para países em desenvolvimento para desconstrução.

e-waste reclamation
Foto cortesia da Basel Action Network 2001

Esta mulher em Guiyu, China, está prestes a esmagar o tubo de raios catódicos de um monitor para recuperar o cobre. O vidro repleto de chumbo é um risco, como a camada de fósforo tóxica que reveste o interior do monitor.

Qual seria a vantagem de exportar lixo? Por que não reciclá-lo onde está? Como muitos aspectos da economia mundial, o custo de transporte do lixo eletrônico é mais que compensado pela mão-de-obra mais barata disponível nos pontos de destino. A reciclagem de eletrônicos em países em desenvolvimento (entre os quais China, Índia, Paquistão, Gana, Nigéria e Costa do Marfim) é realizada por uma fração do custo que acarretaria em países desenvolvidos. Parte da economia deriva do fato de que as normas ambientais e de segurança são menos rígidas nesses países.

Quando o lixo eletrônico chega a essas regiões economicamente atrasadas, os trabalhadores ganham a vida reciclando os velhos computadores, televisores e celulares para reaproveitar seus componentes básicos.

Em algumas comunidades, crianças, idosos e todo mundo mais desmantelam lixo eletrônico diariamente. Trabalhadores esmagam e desmontam aparelhos, espalhando destroços tóxicos ao seu redor e as pessoas muitas vezes caminham sem sapatos pela área. Depois, eles empregam diversos métodos para localizar e remover os metais dos objetos como placas de circuito, semicondutores e fios.

Fogo pode ser usado para remover o revestimento protetor dos fios de cobre, lançando fuligem e fumaça. O fogo também derrete o metal das placas de circuito e outros componentes eletrônicos. Isso permite que os trabalhadores recolham ouro, chumbo, cobre e outros materiais dos pedaços de plástico calcinados.

Outro método são os banhos de ácido. Banhar as placas de circuito em poderosas soluções de ácido nítrico e hidroclórico (altamente corrosivos para a pele humana, em forte concentração) pode liberar os metais dos circuitos. O processo muitas vezes é manual. Depois, os recursos recuperados são vendidos e reingressam no ciclo industrial.

Aquilo que vai, volta

Muitos países desenvolvidos parecem operar sob o princípio de "aquilo que não se vê não faz mal", mas seus excessos quanto ao lixo eletrônico podem estar voltando para assombrá-los. Pesquisadores acreditam que produtos como as bijuterias com traços de chumbo vindas da China são indicadores de que o fluxo de toxinas será revertido. As bijuterias eram especialmente suspeitas porque também continham cobre e estanho, o que sugere que foram produzidas de ligas derivadas de placas de circuito recicladas [fonte: Carroll (em inglês)].

O ácido, o resíduo perigoso e os subprodutos sem uso são enterrados e chegam até as fontes de água, muitas vezes por despejo direto. Testes realizados no solo e na atmosfera de áreas que abrigam grandes operações de reciclagem mostram alto nível de poluição. Os pesquisadores estão estudando como esse lixo eletrônico afeta as populações locais, mas os resultados preliminares devem oferecer indicações desfavoráveis.

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