Concorrência e o futuro do Friendster

A despeito de ter sido o originador do boom das redes sociais, o Friendster vem enfrentando momentos difíceis no setor. Como a maioria dos sites de acesso não pago, o Friendster planeja ganhar dinheiro com a venda de publicidade a empresas que desejem contato com seus usuários. Mas, até junho de 2007, a empresa continuava no vermelho, embora diga que está perto do lucro [fonte: Marshall (em inglês)].

Além disso, concorrentes como o Facebook conquistaram bases de fãs mais amplas e mais jovens. Em 2003, o MySpace ultrapassou o Friendster nos Estados Unidos na faixa etária dos 18 aos 29 anos [fonte: Rivlin (em inglês)]. Diversos fatores podem ser responsáveis por isso.

  • Becos sem saída - antes da ascensão dos aplicativos interativos, não havia mais nada a se fazer no site depois da criação do perfil, o que limitava o incentivo ao retorno freqüente.
  • Pequena escala - comparado ao MySpace, o Friendster tem acesso mais limitado em termos de visitas aos perfis.
  • Falta de visão - os usuários não gostaram de ver removidos os falsos perfis criados por eles para pessoas ou coisas que admiravam. Os falsos perfis se tornaram grupos no MySpace e depois retornaram ao Friendster como perfis de fãs.
  • Tecnologia inferior - fontes do setor disseram que a infra-estrutura do site não era capaz de receber o imenso influxo de visitantes, causando problemas técnicos que variavam de páginas de carregamento muito lento a quedas freqüentes do site, que afastavam usuários.

Será que essa comunidade tão criticada vai se provar capaz de recuperar a magia? Talvez já tenha feito isso na Ásia. De acordo com a revista "Time", 89% do tráfego do Friendster vem da Ásia, enquanto menos de 10% dos usuários do MySpace e do Facebook vivem lá [fonte: Liu (em inglês)]. Atualmente, o Friendster é a maior rede social da Ásia, de acordo com a comScore media Metrix. Uma maior expansão na China e em outros mercados asiáticos ainda está por vir, ainda que o Friendster não seja o único site interessado em explorar esses mercados.

Ao direcionar serviços a pessoas com mais de 18 anos e oferecer o que define como um ambiente "limpo" (ou seja, uma interface menos poluída que a do MySpace), o Friendster pode se concentrar em usuários mais velhos que se sentem mais confortáveis em um site menos ocupado por engenhocas. Aplicativos como pesquisas e jogos ajudam a promover o retorno freqüente dos usuários, e alguns dos recursos planejados, como mensagens de texto para aparelhos móveis, devem expandir o alcance do Friendster em novos mercados e promover novas tecnologias.


O site também melhorou tecnicamente e intensificou seus esforços para atrair visitantes. Os problemas de quedas e demora na entrada de páginas foram atenuados e é mais fácil ver quem está em cada rede e de que maneira o usuário está conectado por meio de um novo recurso de servidor gráfico que oferece uma "árvore genealógica" dos elos entre os Friendsters. Notificações por e-mail e atualizações instantâneas de perfis (quando chegam novas mensagens e atividades de amigos) devem gerar mais visitas. Representantes do Friendster dizem que essas atualizações explicam por que o número de visitas ao site cresceu em mais de 40% em um mês [fonte: Marshall (em inglês)].

Talvez a medida mais agressiva tomada pelo Friendster tenha sido abrir sua plataforma aos programadores. Isso significa que eles têm acesso ampliado e mais flexibilidade para criar dentro do site, facilitando a produção de novos aplicativos. O Friendster anunciou que não vai exigir que os criadores dividam com o site as receitas que esses aplicativos venham a gerar [fonte: Havenstein (em inglês)]. Há quem diga que isso é pouco e que veio tarde demais, mas a disputa será decidida com base em que site atrairá os melhores e mais populares aplicativos.

A mancada de US$ 30 milhões

O Friendster recusou uma generosa proposta de aquisição de US$ 30 milhões apresentada pelo Google. Na época, o Friendster ainda era o astro do mundo das redes sociais. Tendo visto outros empresários em situação semelhante à sua se tornando bilionários, o fundador do Friendster, Jonathan Abrams, decidiu esperar oferta mais alta. Mas ele não imaginava que os problemas que viriam - e os novos concorrentes - iriam abalar o valor de sua mina de ouro. Caso tivesse previsto essas dificuldades e aceito pagamento em ações do Google, ele hoje poderia ter patrimônio de mais de US$ 1 bilhão [fonte: Rivlin (em inglês)].