A rede do Napster

No funcionamento normal da Internet, há servidores web  que detêm as informações e processam os pedidos (veja Como funcionam os servidores web para mais detalhes). Os navegadores da web permitem aos usuários individuais se conectarem aos servidores e visualizarem as informações. Os grandes sites com muito tráfego podem ter de comprar e manter milhares de máquinas para darem conta de todos os pedidos dos usuários.

O Napster foi pioneiro no conceito de rede de compartilhamento de arquivo peer-to-peer. Com a versão antiga do Napster (o Napster voltou em 2003 como um site legal de música paga), as pessoas armazenavam os arquivos que queriam compartilhar (em geral os arquivos de música de MP3) em seus discos rígidos e os dividiam diretamente com outras pessoas. Os usuários administravam um software do Napster que possibilitava esse compartilhamento. Cada máquina do usuário se tornava um minisservidor.


Se você entrasse com sua senha no velho Napster para baixar uma música, acontecia isso:

  • você iniciava o software do Napster em sua máquina. Sua máquina se tornava um pequeno servidor capaz de deixar arquivos disponíveis para outros usuários do Napster;
  • sua máquina se conectava aos servidores centrais do Napster. Era como se os servidores centrais estivessem disponíveis em sua máquina. Os servidores centrais do Napster tinham uma lista completa de cada música compartilhada disponível em cada disco rígido conectado ao Napster naquele momento;
  • Você digitava um pedido por uma música. Vamos imaginar que você estivesse procurando a música "Roxanne", do The Police. Os servidores centrais do Napster listavam todas as máquinas com essa música armazenada;
  • você escolhia uma versão da música na lista;
  • sua máquina se conectava à máquina do usuário que tinha aquela música e baixava-a diretamente daquela máquina.
O criador do Napster tinha um monte de razões para essa abordagem:
  • o Napster por fim cresceu até ter bilhões de músicas disponíveis. Era quase impossível um servidor central ter espaço de disco suficiente para manter todas as músicas ou banda larga para administrar todos os pedidos;
  • o Napster estava tentando tirar vantagem de uma  lacuna na lei de direitos autorais, que permite aos amigos compartilhar músicas entre si. O conceito legal por trás do Napster era: "todas essas pessoas estão compartilhando as músicas em seus discos rígidos com seus amigos". A justiça não concordou com essa lógica, mas deu ao Napster tempo suficiente para aprovar o conceito e crescer.
Essa abordagem funcionou muito bem e fez um uso fantástico da arquitetura da Internet. Ao dividir a carga por arquivo baixado em milhões de máquinas, o Napster realizou o que seria impossível de outra forma.

O banco de dados central para os títulos das músicas era o calcanhar de Aquiles do Napster. Quando a justiça ordenou que a Napster parasse a música, a ausência de um banco de dados central matou a rede de trabalho do Napster original.

Com o fim do Napster, o que você tinha naquele momento era algo como 100 milhões de pessoas ao redor do mundo com vontade de dividir mais e mais arquivos. Foi somente uma questão de tempo antes de um outro sistema preencher esse espaço.