Uma das áreas mais interessantes da pesquisa sobre a BCI é o desenvolvimento de dispositivos que podem ser controlados pelo cérebro. Alguns dos usos desta tecnologia podem parecer inúteis, como a capacidade de controlar um videogame com o pensamento. Se você acha que o controle remoto é prático, imagine mudar os canais com sua mente.
Entretanto, existe uma perspectiva maior – dispositivos que permitirão que pessoas com sérias deficiências tenham uma vida melhor. Para um tetraplégico, algo básico como poder controlar o cursor do computador através de comandos cerebrais representaria uma melhoria considerável da qualidade de vida. Mas como transformar esses pequenos medidores de voltagem em movimentos de um braço mecânico?
Pesquisas recentes utilizaram macacos com eletrodos implantados. Os macacos usaram um joystick para controlar um braço mecânico e os cientistas mediam os sinais provenientes dos eletrodos. Ocasionalmente, eles mudavam os controles para que o braço mecânico fosse controlado apenas pelos sinais provenientes dos eletrodos, em vez do joystick.
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Uma tarefa muito mais difícil é interpretar os sinais do cérebro relativos ao movimento em alguém que não consegue movimentar seu braço. Nesse caso, a pessoa deve "treinar" para usar o dispositivo. Através de um EEG ou um implante, a pessoa pode visualizar o movimento de fechar sua mão direita. Depois de muitas tentativas, o software consegue reconhecer os sinais associados ao pensamento de fechar a mão. O software conectado à mão mecânica é programado para receber o sinal "mão fechada" e interpretá-lo de forma a que a mão se feche. Nesse momento, quando a pessoa pensa em fechar a mão, os sinais são enviados e a mão mecânica se fecha.
Um método similar é usado para manipular o cursor do computador, com a pessoa pensando em movimentos do cursor para frente, para trás, para direita e para esquerda. Com alguma prática, os usuários podem controlar o cursor a ponto de desenhar um círculo, acessar programas de computador e controlar a TV. Teoricamente, isso poderia ser aperfeiçoado para permitir que os usuários "digitassem" com o pensamento.
Quando os mecanismos básicos de conversão de pensamentos em ações mecânicas estiverem perfeitos, os possíveis usos da tecnologia serão quase ilimitados. Em vez de uma mão mecânica, usuários deficientes poderão ter braços mecânicos acoplados a seus próprios corpos, permitindo que eles mexam e interajam diretamente com o ambiente. Isso poderia ser alcançado sem a parte "mecânica" do dispositivo. Sinais poderiam ser enviados aos nervos responsáveis pela movimentação das mãos, contornando a parte danificada da medula espinhal e permitindo o movimento das próprias mãos.
Na próxima página, aprenderemos sobre os implantes coclear e o desenvolvimento do olho artificial.