A maneira mais comum e tradicional de se utilizar uma BCI é sob a forma de um implante coclear. Em uma pessoa sem deficiências, ondas sonoras entram pelo ouvido e passam por diversos pequenos órgãos que transmitem a vibração dos nervos auditivos na forma de um sinal eléctrico. Se o mecanismo do ouvido estiver seriamente danificado, essa pessoa não poderá ouvir nada. Entretanto, os nervos auditivos podem estar funcionando perfeitamente bem, eles apenas não estão recebendo os sinais.
![]() Stephane de Sakutin/AFP/Getty Images (em inglês) O Dr. Peter Brunner demonstra a interface cérebro-computador numa conferência em Paris. |
Um implante coclear contorna a parte do ouvido que não funciona, transforma as ondas sonoras em sinais elétricos e os transmite diretamente aos nervos auditivos, através dos eletrodos. O resultado: uma pessoa que antes era surda agora pode ouvir. Ela pode até não ouvir perfeitamente bem, mas ela consegue participar de conversas.
O processamento da informação visual pelo cérebro é muito mais complexo que o da informação auditiva, e por isso, o olho artificial não está tão desenvolvido. De qualquer forma, o princípio é o mesmo. Eletrodos são implantados no córtex visual, a área do cérebro que processa a informação visual das retinas, ou perto dele. Um par de óculos com uma pequena câmera é conectado ao computador que, por sua vez, está ligado aos implantes. E a pessoa consegue enxergar depois de um período de treino similar ao necessário para os movimentos controlados pelos pensamentos. Neste caso, a visão também não é perfeita, mas alguns pequenos ajustes tecnológicos fizeram com que o mecanismo melhorasse consideravelmente desde sua primeira tentativa nos anos 70. Jens Naumann foi o receptor de um implante de segunda geração. Ele era completamente cego, mas agora consegue andar sozinho no metrô de Nova York e até dirigir um carro em um estacionamento [fonte: CBC News]. Aqui a ficção científica se aproxima, e muito, da realidade. Os terminais que conectam os óculos com câmeras aos eletrodos no cérebro de Naumann são parecidos aos usados para conectar o VISOR (sigla em inglês para instrumento visual e substituição de órgãos sensoriais) usado pelo oficial de engenharia cego Georgi La Forge na série de TV e nos filmes "Star Trek: A Nova Geração", e eles usam basicamente a mesma tecnologia. Entretanto, Naumann não consegue ver partes invisíveis do espectro eletromagnético.
Na próxima página, conheceremos as limitações da interface cérebro-computador – e as excitantes novidades.