Características gerais

Multi-usuário e multitarefa

O Linux é um sistema multi-usuário. Isso significa que é possível ter várias contas de usuário no mesmo sistema cada um tendo sua própria área no disco rígido sem interferir na área dos outros. É possível também definir áreas de compartilhamento e grupos de usuário, em que usuários do mesmo grupo podem ter acesso aos mesmos dados em uma área comum.

O Linux também é um sistema multitarefa, o que significa que os usuários podem executar vários aplicativos ao mesmo tempo.

Dentro do sistema, o usuário com maior poder administrativo é o root. Seu uso é recomendado apenas para tarefas administrativas, como instalação e remoção de softwares. Outros usuários podem ser criados com qualquer outro nome, durante ou depois da instalação, no terminal texto ou pelas ferramentas administrativas da distribuição.

Várias sessões

O sistema também permite conexão simultânea de vários usuários, por rede ou localmente, abrindo vários terminais ou usando mais de um monitor e teclado/mouse adicionais.

Para conseguir isso, o sistema utiliza o conceito de sessões de usuários, que gerenciam a memória de cada processo de aplicativo carregado pelos usuários, garantindo assim que um programa iniciado por um usuário não interfira no processamento do programa de outro.

Em uma instalação Linux, o mesmo usuário pode abrir várias sessões, tanto sessões de terminal texto como sessões de terminal gráfico.

sessão linux no windows
­Clique na imagem para ampliar
©2008 HowStuffWorks
Uma sessão Linux aberta remotament­e no Windows pelo
protocolo SSH. O comando who permite ver­ificar as sessões abertas
­ no sistema e seus respectivos usuários

A estrutura de diretórios e arquivos do Linux

No Linux, o sistema de diretórios e arquivos começa na raiz /. Abaixo dela é possível achar os diretórios dos usuários, das configurações globais, dos programas instalados e dos dispositivos disponíveis no computador. Essa estrutura foi inspirada no Unix e é usada em quase todas as distribuições Linux.

A tabela e as imagens abaixo listam e explicam a função de cada diretório (ou pasta) do sistema:

/bin
Contém arquivos programas do sistema que são usados com freqüência pelos usuários.
/boot
Contém arquivos necessários para a inicialização do sistema.
/cdrom
Ponto de montagem da unidade de CD-ROM.
/media
Ponto de montagem de dispositivos diversos do sistema (rede, pen-drives, CD-ROM em distribuições mais novas).
/dev
Contém arquivos usados para acessar dispositivos (periféricos) existentes no computador.
/etc
Arquivos de configuração de seu computador local.
/floppy
Ponto de montagem de unidade de disquetes
/home
Diretórios contendo os arquivos dos usuários.
/lib
Bibliotecas compartilhadas pelos programas do sistema e módulos do kernel.
/lost+found
Local para a gravação de arquivos/diretórios recuperados pelo utilitário fsck.ext2. Cada partição possui seu próprio diretório lost+found.
/mnt
Ponto de montagem temporário.
/proc
Sistema de arquivos do kernel. Este diretório não existe em seu disco rígido, ele é colocado lá pelo kernel e usado por diversos programas que fazem sua leitura, verificam configurações do sistema ou modificar o funcionamento de dispositivos do sistema através da alteração em seus arquivos.
/root
Diretório do usuário root.
/sbin
Diretório de programas usados pelo superusuário (root) para administração e controle do funcionamento do sistema.
/tmp
Diretório para armazenamento de arquivos temporários criados por programas.
/usr
Contém maior parte de seus programas. Normalmente acessível somente como leitura.
/var
Contém maior parte dos arquivos que são gravados com freqüência pelos programas do sistema, e-mails, spool de impressora, cache, etc.




diretório raiz com comando ls /
­­­Clique na imagem p­ara ampliar
©2008 HowStuffWorks
Listando os diretório­s da raiz usando o terminal gráfico

diretórios raiz
©2008 HowStuffWorks
Listando os diretórios da rai­z usando o terminal texto, com o comando ls /



­Configurações em arquivos texto

Diferentemente de sistemas como o Microsoft Windows, que utilizam um registro para guardar as configurações de sistema e de usuário, toda a configuração do Linux é baseada em arquivos texto.

As configurações globais que valem para todos os usuários do sistema, como a de rede (endereço de ip, gatway e DNS), ficam em arquivos texto no diretório /etc. Já as configurações específicas de cada usuário, como o papel de parede, ficam dentro do diretório pessoal, localizado em /home/usuario, onde usuario é o nome do usuário usado para iniciar a sessão.

Para os usuários avançados, esta forma de configurar o sistema é bastante útil. Leva-se bastante tempo para entender os arquivos e configurar o sistema, mas é possível configurar o software minuciosamente para ser executado da maneira desejada, e em caso de panes no sistema como a falha de um disco rígido, basta reinstalar o Linux e restaurar o backup da pasta /etc e /home que tudo voltará ao normal.

edição de configurações
©2008 HowStuffWorks
Um editor de texto no terminal gráfico editando o arquivo de configuração de conexão de rede, localizado em /etc/network/interfaces

­O que as distribuições atuais fazem para que o usuário leigo configure o Linux de forma rápida é criar interfaces gráficas que alteram os arquivos de configuração, facilitando assim configurações básicas como alteração de senhas, configurações de rede e internet, impressão e etc.

Essas ferramentas são chamadas front-ends e são normalmente incluídas no conjunto de ferramentas administrativas que cada distribuição provê, elas podem variar dependendo da distribuição que você está usando.

Configurações de rede via front-end
©2008 HowStuffWorks
Editando as configurações de rede através de um front-end na distribuição Ubuntu

Dispositivos de hardware

Os dispositivos de hardware, como mouse, HDs e partições são representados como arquivos no sistema no diretório /dev.

O arquivo de dispositivo /dev/input/mice refere-se ao mouse. Sempre que um programa precisar do mouse ele irá procurar este arquivo.

O arquivo /dev/sda refere-se ao primeiro HD do tipo SATA, e /dev/hdb ao segundo HD do tipo IDE.

Para partições, o arquivo /dev/sda0 refere-se à primeira partição no primeiro HD do tipo SATA, enquanto o arquivo /dev/sda1 refere-se à segunda partição no primeiro HD do tipo SATA. Arquivos como /dev/sdb0 e /dev/hdb0 também são válidos.

Pontos de montagem

No Windows, unidades de disco são representados por letras, como C:, D:, E: etc. No Linux essas unidades são “montadas” em diretórios vazios dentro do diretório raiz (/), chamados de pontos de montagem.

Por exemplo:

A primeira partição onde está instalado o Linux se encontra em /dev/sda0, arquivo que pode ser entendido como: a primeira partição (0) do primeiro HD do tipo SATA (sd a). Essa partição é montada no diretório raíz (/), o primeiro ponto de montagem.

Um segundo HD, /dev/sdb, pode ser instalado no computador e “montado” no diretório /home, onde ficam os arquivos dos usuários. A sua primeira partição (/dev/sdb0), deveria neste caso ser montada no diretório /home.

Assim, sempre que um usuário acessar algum subdiretório de /home estará, na realidade, acessando arquivos do segundo disco rígido.

Pontos de montagem podem ser carregados durante a inicialização do sistema, através do arquivo /etc/fstab que lista os pontos de montagem, ou manualmente. O usuário pode montar a sua partição do Windows dentro do Linux, caso o primeiro esteja instalado na mesma máquina, ou então montar dispositivos removíveis, como pen drivers e iPods, e desmontá-los ao final do uso.

pontos de montagem
©2008 HowStuffWorks
Listagem das partições de um computador com Linux e seus respectivos pontos de montagem