Introdução

Milhões de pessoas sofrem de fobias que limitam suas atividades e influenciam negativamente suas vidas. Muitas procuram tratamento psicológico para controlar ou dominar seus medos. Durante anos, uma forma popular de tratamento era a terapia de exposição, em que o terapeuta exporia um paciente a estímulos relacionados a seu medo em um ambiente controlado. Em muitos casos, os pacientes aprenderiam a controlar sua ansiedade através de exposições repetidas, além do encorajamento do terapeuta.

A terapia de exposição é demorada. Geralmente, é cara e inconveniente, além de poder comprometer a confidencialidade do paciente. Por exemplo, o tratamento de um paciente com aerofobia, ou medo de voar, geralmente envolve um passeio ao aeroporto. Podem ser necessárias várias visitas para que o terapeuta e o paciente cheguem com segurança até um portão. Finalmente, os dois precisam entrar em um avião e seguir para um destino. Agora que você é um passageiro com bilhete na mão para atravessar a segurança nos aeroportos, pode ser extremamente caro tratar um paciente com terapia de exposição. Já que pacientes e terapeutas viajam juntos, a confidencialidade do paciente fica comprometida, pois o público tem a chance de ver o terapeuta em atividade.


terapia virtual
Foto cedida por Virtually Better, Inc.
A Virtually Better, Inc. utiliza a terapia virtual para tratar o medo de voar de um paciente
Uma alternativa à terapia de exposição tradicional é a terapia de exposição da realidade virtual. Esse tipo de terapia usa uma unidade de realidade virtual para simular situações que causam ansiedade em pacientes com fobia. Ela possui várias vantagens em relação à terapia tradicional. Os médicos não precisam sair de seus consultórios. A programação do tratamento é mais fácil. É mais barato a longo prazo. Além disso, geralmente os pacientes estão mais dispostos a participar de um programa que sabem que fará com que eles lidem com seus medos de uma maneira não-física. Uma vez que os pacientes podem se submeter à terapia dentro do consultório médico, a confidencialidade não é um problema.

O Dr. Larry Hodges, cientista da computação de realidade virtual (RV) da Universidade da Carolina do Norte, ficou interessado em uma possível aplicação terapêutica da tecnologia de RV no ínicio da década de 90. Ele aproximou-se da dra. Barbara Rothbaum, uma professora de psiquiatria na Emory University, e, juntos, trabalharam em um projeto que testaria a eficácia da tecnologia da RV na recriação de medos de pacientes. Decidiram criar uma simulação para pacientes que sofrem de acrofobia (medo de altura). O Dr. Hodges achou que seria relativamente fácil criar um programa que desse a ilusão de altura, se comparada a outros medos mais complexos.

Agradecimentos
Agradecemos ao Dr. Larry Hodges da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, por sua ajuda nesse artigo.

O Dr. Hodges e sua equipe trabalharam com a Dra. Rothbaum e com pacientes voluntários para determinar quais estímulos eram particularmente eficazes. Os voluntários usariam um HMD (head-mounted display), que criaria a ilusão de estarem sobre um peitoril alto. Participando do projeto, Hodges e Rothbaum não tinham certeza de que obteriam as mesmas reações dos voluntários em um ambiente virtual, como se estivessem em um ambiente real, nem sabiam se, tratando alguém com ambientes virtuais, esse progresso se transformaria no mundo real.

Usando a realidade virtual

A realidade virtual não é apenas usada para ajudar as pessoas a superarem suas fobias ou participarem de jogos de uma maneira mais realista.

A UC Davis construiu uma caverna de realidade virtual; os pesquisadores não precisam mais ver mapas bidimensionais e planos. Com o uso de uma técnica de varredura de radar chamada Lidar, os geólogos podem medir melhor os abalos sísmicos a uma certa distância.

O Chaim Sheba Rehabilitation Hospital, próximo a Tel Aviv, Israel, desenvolveu um sistema de realidade virtual para auxiliar na reabilitação física de seus pacientes. Usando um videogame de tamanho natural, os pacientes são forçados a usar os músculos atrofiados para curar lesões e distúrbios.