No início da simulação, a dra. Rothbaum observou que os pacientes voluntários exibiam sinais clássicos de ansiedade, incluindo batimento cardíaco acelerado e falta de ar. Rothbaum e Hodges demonstraram, com sucesso, que um ambiente virtual poderia despertar reações físicas reais dos usuários. A dra. Rothbaum começou a usar as simulações para trabalhar com os pacientes como se eles estivessem sendo submetidos à terapia de exposição comum. Logo, vários voluntários relataram que buscaram, intencionalmente, experiências em situações reais que testassem seu medo. Eles eram pacientes que normalmente teriam evitado essas situações a qualquer preço antes de experimentarem a terapia virtual.
Após algumas pesquisas adicionais, Hodges criou a empresa Virtually Better Inc (site em inglês). A empresa desenvolve e vende sistemas de realidade virtual que recriam com exatidão várias situações clássicas e diferentes de fobia, incluindo fobias sociais que envolvam multidões. Agora, um terapeuta pode fazer com que o paciente faça um vôo virtual sem a confusão de uma viagem programada, ande de elevador virtual ou faça um discurso para uma multidão, tudo sem sair do consultório ou comprometer a confidencialidade do paciente.
![]() Foto autorizada pela GNU Free Documentation License A Virtually Better pode criar um ambiente como esse para ajudar os pacientes a superarem seu medo de altura |
Além de tratar medos e ansiedades, a Virtually Better utiliza a tecnologia da RV para ajudar a tratar dependências. Esses cenários colocam o usuário em uma situação em que as personagens dentro do ambiente virtual são viciadas em álcool ou drogas. Embora possa parecer estranho uma personagem virtual causar dependência, o Dr. Hodges afirma que sua pesquisa mostra que, uma vez que a pessoa esteja habituada a um ambiente virtual (o que significa que o usuário se sente como se estivesse dentro e fizesse parte do mundo virtual), ela reage como se estivesse no mundo real. De fato, de acordo com alguns projetos de pesquisa, as personagens virtuais podem influenciar uma pessoa de verdade como se elas fossem reais. O Dr. Hodges diz que o sexo de uma personagem parece fazer uma diferença maior nas reações dos usuários do que se ela é virtual ou real.
A Virtually Better vendeu unidades a terapeutas em todo o mundo e continua desenvolvendo novos aplicativos de terapia da tecnologia da RV. O Dr. Hodges também continua sua pesquisa no campo da RV, estudando a forma como as pessoas e os ambientes virtuais podem influenciar os usuários humanos.