Por exemplo, imagine que um comandante queira ser capaz de detectar o movimento dos caminhões em uma área distante. Um avião voando sobre a área espalha milhares de motes, cada um equipado com um magnetômetro, um sensor de vibração e um receptor GPS. Os motes operados por baterias são lançados a intervalos de cerca de 30 metros. Cada mote desperta, monitora sua posição e então envia um sinal de rádio para encontrar os demais.
Todos os motes da área criam uma gigantesca rede amorfa capaz de coletar dados. Os dados afunilam-se pela rede e atigem um nó coletor, que possui um poderoso rádio capaz de transmitir um sinal por várias milhas. Quando um caminhão inimigo passa pela área, os motes que o detectam transmitem sua localização e seus dados monitorados. Motes vizinhos recebem as transmissões e as enviam adiante, até que os sinais atinjam um nó coletor e são transmitidos ao comandante. O comandante pode, então, projetar os dados na tela e ver, ao vivo, o caminho que o caminhão está tomando através do campo de motes. Então um veículo pilotado remotamente pode voar sobre o caminhão, e certificar-se de que ele pertence ao inimigo e, dessa forma, lançar uma bomba para destruí-lo.
Isso pode parecer um enorme transtorno a se enfrentar, até que se perceba os sistemas que estes motes substituem. Antes, a ferramenta usada por um comandante para prevenir o movimento de caminhões ou tropas em uma área distante eram as minas terrestres. Soldados podiam rechear a área com milhares de minas antitanques ou antipessoais. Qualquer um que se movimente por esta área, amigo ou inimigo, vai pelos ares. Outro problema, naturalmente, é que muito depois do fim do conflito, as minas permanecem ativas e mortais, esperando para retirar os membros e até mesmo a vida dos que passam. A UNICEF relata (em inglês) que, nos últimos 30 anos, minas terrestres mataram ou mutilaram mais de 1 milhão de pessoas, muitas delas crianças. Com motes, o que é deixado para trás depois da guerra são minúsculos e totalmente inofensivos sensores. E como os motes consomem tão pouca energia, as baterias podem durar um ano ou dois. Depois disso, os motes poderão simplesmente silenciar, não representando perigo físico para os civis de localidades próximas.
Esse conceito de rede de comunicação ad hoc, formado por centenas ou milhares de motes, comunicando-se uns com os outros e passando dados entre eles, é muito eficaz. Eis alguns exemplos do conceito em ação:
![]() Foto cedida pelos laboratórios JLH "Spec," um simples chip de mote (oculto por baixo do quadrado branco de cera), mede aproximadamente 2 mm x 2,5 mm, possui um núcleo RISC tipo AVR, 3K de memória, um 8-bit, on-chip ADC, um rádio transmissor FSK, um sistema de memória de paginação, aceleradores de comunicação de protocolos, registradores windows, e muito, muito mais |
![]() Foto cedida pelos laboratórios JLH A bancada usada para trazer à vida o Spec |