Riscos potenciais para a saúde

No final da década de 1970, surgiu a preocupação de que os campos magnéticos de linhas de transmissão causassem leucemia em crianças. Estudos epidemiológicos subseqüentes não encontraram nenhuma ligação entre o câncer e as linhas de transmissão. Um novo alarme sanitário relacionado à tecnologia cotidiana é o potencial dos danos radioativos causados por celulares. Estudos sobre a questão continuam contraditórios.

Todos os telefones celulares emitem uma certa quantidade de radiação eletromagnética. Dada a proximidade entre o fone e a cabeça, é possível que a radiação cause algum tipo de dano aos usuários. O que está sendo discutido no cenário científico e político é exatamente a quantidade de radiação que é considerada nociva, e se há algum efeito potencial a longo prazo causado pela exposição à radiação dos telefones celulares.

Há dois tipos de radiação eletromagnética:

  • radiação ionizante - esse tipo de radiação contém energia eletromagnética suficiente para arrancar átomos e moléculas do tecido e alterar reações químicas no organismo. Raios gama e raios X são dois exemplos de radiação ionizante. Sabemos que são prejudiciais, e é por isso que usamos um colete de chumbo quando somos expostos a raios-X;

  • radiação não ionizante - de modo geral, é segura. Ela causa um efeito de aquecimento, mas em geral não o suficiente para resultar em algum dano ao tecido a longo prazo. A energia de radiofreqüência, a luz visível e a radiação de microondas são consideradas não ionizantes.

Em seu Web site, o FDA declara que "os indícios científicos disponíveis não demonstram quaisquer efeitos adversos à saúde associados ao uso de telefones móveis". Contudo, isso não significa que o potencial para o mal não exista. Segundo a FCC, a radiação pode danificar o tecido humano se este for exposto a níveis elevados de radiação RF (radiofreqüência). A radiação RF tem a capacidade de aquecer o tecido humano do mesmo modo que os fornos de microondas aquecem os alimentos. O dano ao tecido pode ser causado pela exposição à radiação RF porque nosso corpo não está preparado para dissipar quantidades excessivas de calor. Os olhos são especialmente vulneráveis devido ao pequeno fluxo sangüíneo nessa área.


O uso de celulares continua a crescer, e é por isso que os cientistas e legisladores estão tão preocupados com os riscos potenciais associados a esses aparelhos

A preocupação com a radiação não ionizante, como a dos telefones celulares, é que ela poderia causar efeitos a longo prazo. Ainda que ela não cause mal imediato ao tecido, os cientistas ainda não sabem ao certo se a exposição prolongada pode criar problemas. Trata-se de uma questão muito delicada, já que cada vez mais pessoas estão usando telefones celulares.

Eis algumas doenças e distúrbios potencialmente vinculados à radiação de telefones celulares:

Os estudos apenas complicaram ainda mais a questão. Assim como acontece com a maioria dos tópicos polêmicos, diversos estudos apresentam resultados contraditórios. Alguns dizem que os telefones celulares estão vinculados à ocorrência mais elevada de câncer e outras doenças, enquanto outros concluem que os usuários de celulares não têm índice mais elevado de câncer do que a população em geral. Até hoje, nenhum estudo proporcionou provas conclusivas de que os telefones celulares podem causar qualquer uma dessas doenças. Contudo, há estudos em andamento que analisam a questão com mais detalhes. Veja a página de links no final deste artigo para mais informações sobre esses estudos.

Veja mamãe, sem segurar com as mãos!
Se você se preocupa com os riscos potenciais da radiação dos telefones celulares, eis algumas maneiras de reduzi-los:
  • use um aparelho com suporte, que deixa as mãos livres
  • use um telefone cuja antena fica o mais distante possível do usuário
  • levante a antena durante o uso
  • limite o número de ligações dentro de prédios
  • use o telefone ao ar livre sempre que possível
  • limite o uso por crianças

Em níveis elevados, a energia de radiofreqüência pode aquecer rapidamente o tecido biológico e causar danos como queimaduras, segundo um relato recente do U.S. General Accounting Office (em inglês) um órgão congressional apartidário que faz auditoria em programas federais. O relatório declara que os telefones celulares operam com níveis de potência abaixo do ponto em que ocorreriam esses efeitos gerados pelo calor. A quantidade de radiação emitida pelos aparelhos é, na verdade, mínima, e o governo federal dos EUA limita a quantidade de radiação que um celular pode emitir.

Na próxima seção, veremos como são testados os níveis de radiação dos telefones celulares.