Um googlilhão de potência

Um googol representa o número um seguido por 100 zeros. O nome do Google deriva do desejo de seus fundadores de manter um registro sobre o imenso volume de informações disponíveis na Internet [fonte: Google (em inglês)]. À medida que a empresa crescia, ela começou a oferecer mais serviços do que simples buscas na Web. Por meio de inovações desenvolvidas internamente e aquisições de outras companhias, o Google criou o que hoje conhecemos como Google Docs, um pacote de aplicativos disponíveis via Web (em inglês) que inclui processador de texto, programa de planilhas e programa de apresentações. Com o Gmail, isso coloca o Google em concorrência direta contra a Microsoft. E, ao contrário do Office, o Google Docs tem custo zero.

Os serviços hospedados são a espécie de aplicativo que poderia ocupar posição central em um sistema de computação em nuvem, o que representa apenas uma das razões para que seja perfeitamente viável que o Google representasse o parceiro perfeito de infra-estrutura em uma aliança com um produtor de hardware. A máquina do Google, na verdade uma rede de máquinas, oferece impressionante poder de computação e também capacidade de reserva.

O Google já armazena backups múltiplos de informações em seus equipamentos e, se uma parte da máquina apresenta defeitos, pode ser substituída por outra sem quaisquer perdas de informação [fonte: Baker (em inglês)]. Usar um computador em nuvem hospedado na imensa infra-estrutura do Google libertaria o usuário da necessidade de levar arquivos com ele - nada de pen drives, discos rígidos de laptops, CDs, DVDs e outras formas removíveis de mídia. O usuário poderia trabalhar em um projeto de casa, do escritório ou em um aparelho portátil, enquanto estivesse em movimento.

Com um computador em nuvem, o usuário provavelmente não pagaria por software. Usando aplicativos hospedados no servidor, a máquina local teria todo o software (em inglês) de que precisaria para trabalhar, sem precisar armazená-lo localmente. Não seria preciso atualizar o software quando surgem as novas versões - e todos os participantes da nuvem usariam o mesmo software, o que evitaria problemas de compatibilidade.

Mas o que isso representaria para os homens de negócios que precisam viajar a trabalho? Um computador em nuvem requereria conexão com a Internet e os aviões atuais não oferecem essa capacidade, ainda que existam linhas aéreas que planejam oferecê-la. A pessoa seria obrigada a passar o tempo lendo ou assistindo ao filme exibido durante o vôo. O usuário também teria de confiar ao Google, ou a qualquer outro provedor, a guarda de seus documentos. Muitas empresas não permitem que seus documentos internos sejam utilizados por pessoas do lado de fora de seus firewalls. Será que elas mudariam de idéia se a maioria dos negócios fossem conduzidos sob um modelo de computação em nuvem?

Google computing center in The Dalles, Ore.
Craig Mitchelldyer/Getty Images
Em 2006, o Google construiu dois imensos centros de computação em The Dalles, Oregon. Cada um tem o tamanho de um campo de futebol, e um sistema de refrigeração imenso é necessário para proteger os computadores instalados.

Um dos grandes problemas gerados pela criação de um computador em nuvem seria o volume de eletricidade requerido para fazê-lo funcionar. O Google construiu seu centro de dados em The Dalles, Oregon, devido ao acesso de alta velocidade à Internet propiciado por linhas de fibra óptica e devido à proximidade da represa Dalles [fonte: Gilder (em inglês)]. O Google precisa de muita eletricidade para acionar o equipamento de refrigeração necessário para manter em funcionamento milhares de servidores. Os dois edifícios do tamanho de um campo de futebol abrigam, cada um, uma central de refrigeração de quatro andares de altura [fonte: Markoff and Hansell].

Caso o Google ainda não seja capaz de oferecer o poder de processamento necessário para acionar um sistema mundial de computação em nuvem, é certo que está a caminho de adquirir essa capacidade. Mas por que a empresa formaria uma parceria com a Apple para fornecer hardware ao usuário final? Na próxima seção, a opinião de Carr e a opinião de alguns críticos.