Guarda-roupa digital do futuro

O desenvolvimento de fios digitais abriu oportunidades para toda uma indústria de roupas computadorizadas. Na próxima década, provavelmente veremos uma grande variedade de trajes digitais entrando no mercado consumidor.

A jaqueta musical é feita com organza de seda e é controlada com um teclado capacitivo de tecido. Este teclado foi produzido em massa, usando linha condutora e técnicas de bordar comuns. O teclado é flexivel, durável e responde ao toque. Um circuito impresso é usado para dar ao teclado uma habilidade sensitiva. Desta forma, os controles reagem quando pressionados. O teclado pode perceber o toque devido ao aumento na capacitância do eletrodo quando tocado. Os teclados são conectados a uma miniatura de um sintetizador MIDI, que toca música. A potência pode ser fornecida por uma fonte parasítica de energia, como a energia solar, eólica, térmica ou energia mecânica proveniente de pulsos ou de caminhadas. Mais adiante, pesquisadores estão procurando tecidos capazes de gerar energia ao serem dobrados.


Foto cortesia do MIT Media Lab
Este teclado controla a jaqueta musical da Levi e é todo feito com tecidos, até mesmo a parte elétrica

Outro teclado feito todo de tecido utiliza materiais condutores e não condutores costurados juntos em uma estrutura endereçável de linha e coluna. O produto final se parece com uma colcha que foi remendada em um padrão quadrado. As colunas condutoras acolchoadas são isoladas, e formam as linhas condutoras com tecido grosso e macio, como feltro ou veludo. Orifícios no tecido isolado permitem às linhas e às colunas condutoras fazerem contato, assim que um usuário pressiona o teclado. Camisas e outros tecidos, que usam este teclado, podem ser torcidos na máquina de lavar como uma peça de roupa qualquer.


Foto cortesia do MIT Media Lab
O teclado de contato de chaveamento é lavável

Enquanto a jaqueta musical é um exemplo de como roupas computadorizadas podem ser usadas para o entretenimento, pesquisadores no Instituto de Tecnologia da Georgia desenvolveram uma finalidade prática e medicinal para esta tecnologia. A camisa inteligente pode monitorar índices cardíacos e respiratórios, usando fibras de condutividade óptica e elétrica, que são trançadas no tecido dela.

A camisa inteligente, projetada na Georgia Tech, foi inicialmente financiada pela Marinha Americana, a partir de 1996. Agora, estas camisas são destinadas aos soldados em combate, para que o pessoal médico possa encontrar o local exato de um ferimento à bala. Para identificar com precisão o local de penetração da bala, um sinal luminoso é continuamente enviado da ponta de uma fibra óptica para um receptor, na outra ponta. Esta fibra também é conectada a um monitor pessoal de status, usado no quadril. Se a luz de um emissor não atinge o receptor no monitor, o soldado foi alvejado. O sinal luminoso então salta de volta ao ponto da penetração, o que auxilia o médico a achar a exata localização do ferimento à bala.


Foto cortesia da Sensa TexInc.
Um protótipo inicial de uma camisa inteligente desenvolvida na Georgia Tech

Os usuários desta camisa acoplam sensores ao corpo, vestem a camisa e prendem os sensores a elas. A camisa também capta sinais vitais, como batimentos cardíacos, temperatura corpórea e o padrão respiratório. Estas medidas são monitoradas de duas maneiras: por meio dos sensores integrados à camisa e dos sensores no corpo dos usuários, ambos conectados ao monitor no quadril. Por causa de sua capacidade de monitorar estes sinais vitais, a camisa está sendo comercializada como uma maneira de se prevenir a Síndrome da Morte Súbita da Infância (SIDS). Atletas também podem estar interessados nelas para monitorar o desempenho de seus corpos durante os treinamentos e as competições.