Vamos deixar uma coisa bem clara antes de começar: o Second Life não é um videogame; é um mundo virtual. Algumas pessoas ficarão muito bravas se você não fizer esta distinção. Neste mundo virtual as pessoas vivem de maneira muito semelhante às suas vidas "de verdade", ou pelo menos atingem a profundidade potencial que poderiam atingir na vida real em circunstâncias diferentes. Um contador na vida real pode desenvolver uma personagem no Second Life - um avatar - que tenha 19 anos de idade e seja modelo. Este avatar pode ganhar $100.000 lindens por sessão de fotos, colocar $50.000 em um banco do Second Life, e gastar o resto comprando sapatos Manolo Blanhiks em lojas virtuais, comprar obras de arte virtuais em leilões virtuais para decorar sua cobertura, e distribuir garrafas de champanhe Cristal para todo mundo na sala VIP da sua boate preferida. A loja, a casa de leilões, o prédio de apartamentos, a casa noturna - são todos dirigidos por outros avatares. E estes avatares estão ganhando dinheiro com a venda de sapatos e obras de arte, tarifas de aluguel ou condomínio, e couvert (apesar de que a modelo certamente entra de graça na casa noturna).

No que se refere a mundos virtuais, é impressionante, mas não é revolucionário. O que é revolucionário no Second Life é que não somente é legal fazer dinheiro de verdade a partir dos negócios de seus personagens, como também você é encorajado a fazê-lo. A troca de seus lindens por dólares americanos, rúpias indianas, ou libras britânicas faz parte do sistema, através do chamado LindeX - é o lugar onde você vai para trocar seu dinheiro em lindens por dinheiro que você possa depositar na sua conta bancária no mundo real. Sim, sua conta bancária de verdade onde seu salário do "mundo real" é depositado todo mês, e também funciona ao contrário. Se o seu avatar estiver sem dinheiro no Second Life, você pode comprar lindens com seu cartão de crédito da vida real e voilà - agora você tem dinheiro virtual.

O Second Life eliminou a fronteira entre comércio virtual e comércio do "mundo real". Pessoas estão ganhando dinheiro de verdade - na maioria alguns trocados, mas ainda assim dinheiro - através de suas atividades no Second Life. Seus avatares estão trabalhando como corretores de imóveis, construtores (esta é uma das maneiras mais lucrativas de ganhar dinheiro no Second Life), seguranças, barmans, prostitutas, executivos, e qualquer outro emprego que exista no "mundo real". Agora, se você pode ganhar um bom dinheiro no Second Life é discutível e ainda está para ser analisado. Segundo David Kirkpatrick, da revista Forune, o criador do Second Life, Linden Lab, informou que em dezembro de 2006 "17.000 residentes [do Second Life] tinham saldo positivo em Lindens, sendo que cerca de 450 estavam gerando renda mensal acima de mil dólares". Muitas pessoas ainda não podem sair de seus empregos de verdade, mas o fenômeno é sem dúvida surpreendente: uma economia completamente virtual, que não somente se espelha na economia real mas se liga a ela, se desenvolveu ao ponto de que é difícil dizer onde uma começa e a outra termina.

Pense nisso: um avatar que abre uma casa noturna precisa de funcionários. Este avatar pode colocar anúncios de emprego na ferramenta de busca de emprego do Second Life, procurando por garçonetes, seguranças, faxineiros, e talvez umas duas dançarinas profissionais para deixar o ambiente interessante. O dono da casa noturna paga todos estes funcionários em lindens. Quando qualquer avatar junta em lindens o equivalente a 150 dólares, pode trocar o dinheiro virtual por dinheiro "de verdade" e depositar no banco. No banco de verdade. Então trabalhar no Second Life é tão diferente de trabalhar na "vida real"? Teoricamente, não muito, apesar de a taxa de câmbio do linden por dólar ser bem desvalorizada: em janeiro de 2007, estava em aproximadamente 268 lindens para 1 dólar. Então trabalhar no mundo real é, no mínimo, mais lucrativo.

Mas uma nova maneira de fazer dinheiro surgiu nos últimos meses. Empresas como a IBM - sim, a IBM da "vida real" - estão se envolvendo no Second Life. Milhares de funcionários da IBM criaram avatares, e os avatares participam de reuniões virtuais em uma sala de conferência virtual da IBM no Second Life, e fazem negócios de verdade da IBM com outros avatares neste mundo virtual. Apesar de não gerar dinheiro em si, este tipo de atenção e a prova de conceito por parte de empresas renomadas estão estimulando um novo tipo de comércio no Second Life: construir presenças no Second Life para empresas do mundo real. Reuters, Nike, Sony-BMG e Toyota são apenas algumas das empresas que construíram lojas, outdoors ou painéis de notícias no Second Life. Algumas fachadas de lojas são somente ferramentas de marketing; outras vendem produtos para avatares. Um avatar pode ir a uma revendedora da Toyota no Second Life e comprar um carro virtual.

Mas a Toyota e a Sony não estão construindo estas propriedades virtuais sozinhas. O Second Life não é um mundo fácil de navegar, e especialistas em construção de propriedades no Second Life são muito requisitados. Existem empresas de tecnologia especializadas em desenvolver a presença virtual de uma empresa real no Second Life, e muitas delas estão se voltando a avatares mais antigos para fazer o serviço pesado. A Electric Sheep Company construiu as presenças no Second Life da Nissan, da Starwood e da Ben Folds, e recrutou pessoal dentro do Second Life. A busca por emprego, o currículo, as entrevistas, tudo aconteceu entre avatares no mundo virtual. Uma empresa chamada Crayon levou a Coca Cola para o Second Life e também contratou somente avatares.

Muitos especialistas admitem a hipótese de que o próximo passo desta tendência é que vendas reais aconteçam no Second Life. Em outras palavras, seu avatar pode entrar na loja virtual da Nike, comprar um par de tênis em lindens, e esperar uma semana para que o tênis de verdade chegue via Correio na sua casa de verdade, na vida real.

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Fontes (em inglês)