As pessoas criam os vírus. As pessoas têm de escrever os códigos, testá-los para garantir que eles se propagarão apropriadamente e então libertá-los. Elas têm de projetar a fase de ataque do vírus, se eles serão mensagens bobas ou se destruirão um disco rígido. Por que as pessoas fazem isso?
Existem pelo menos três razões. A primeira é a mesma razão que move vândalos e incendiários. O que leva alguém a querer quebrar o vidro do carro de outra pessoa ou pichar paredes ou queimar uma bela floresta? Para algumas pessoas isso parece ser excitante. Se pessoas como essas sabem programar computadores, elas podem canalizar suas energias para a criação de vírus destrutivos.
A segunda razão tem a ver com a excitação de ver as coisas irem pelos ares. Algumas pessoas têm fascinação com coisas como explosões e carros se destroçando. Provavelmente, na nossa infância, havia uma criança na vizinhança que aprendeu a fazer pólvora e bombas cada vez maiores até que se entediou com elas ou causou sérias lesões em si mesma. Criar vírus que se espalham velozmente é um pouco parecido com isso. Cria-se uma bomba dentro do computador e, quanto maior o número de computadores infectados, mais "divertidas" serão as explosões.
A terceira razão envolve, provavelmente, a excitação em fazer isso ou o desejo de vangloriar-se do feito. Uma espécie de Monte Everest. A montanha está lá, então alguém é compelido a escalá-la. Caso você seja um tipo de programador que se depara com uma falha na segurança que possa ser explorada, você pode simplesmente ser compelido a explorar essa falha antes que alguém o faça e o supere nisso. "Claro, eu poderia CONTAR a alguém sobre a falha. Mas não seria melhor MOSTRAR-LHES a falha?" Este tipo de lógica conduz à criação de muitos vírus.
É claro que muitos criadores de vírus parecem se esquecer que suas criações causam danos reais às pessoas. Destruir tudo em um disco rígido de uma pessoa é, sem dúvida, um grande mal. Forçar funcionários de grandes empresas a perder milhares de horas para se reorganizar após um ataque de vírus é realmente desastroso. Mesmo mensagens tolas causam danos às pessoas que têm de perder tempo para livrarem-se delas. Por isso, as autoridades estão endurecendo cada vez mais com as punições para os criadores de vírus.
Os tradicionais vírus de computador foram amplamente percebidos pela primeira vez no final da década de 80, e seu surgimento deve-se a vários fatores. O primeiro fator foi a proliferação dos computadores pessoais (PCs). Antes da década de 80 os computadores residenciais praticamente não existiam ou eram simples brinquedos. Computadores "de fato" eram raros e tinham o seu uso restrito aos "experts". Durante a década de 80 os computadores começaram a se difundir nos escritórios e nas casas devido à popularidade do IBM PC (lançado em 1982) e do Apple Macintosh (lançado em 1984). No final da década de 80, os PCs já estavam bem difundidos em escritórios, residências e campus universitários.
O segundo fator foi o uso dos bulletin boards (quadro de avisos) de computador. Podia-se discar para um bulletin board com um modem e baixar programas de todos os tipos. Jogos eram muitos populares, assim como processadores de textos, planilhas, etc. Os bulletin boards conduziram ao precursor dos vírus conhecido como o cavalo de tróia. Um cavalo de tróia é um programa que parece bem legal quando lemos sobre ele. Então, nós o baixamos. Quando vamos executá-lo, entretanto, ele faz coisas desagradáveis como apagar seu disco. Pensamos que estamos baixando um belo jogo, mas ele apaga nosso sistema. O cavalo de tróia infectou um pequeno número de usuários porque foi descoberto cedo. O proprietário do bulletin board pode apagar o arquivo do sistema ou enviar mensagens para alertar os outros.
O terceiro fator que impulsionou a criação de vírus foi o disco flexível. Na década de 80, os programas eram pequenos e sistemas operacionais, processadores de textos (mais alguns outros programas) e alguns documentos podiam ser colocados em 1 ou 2 discos flexíveis. Muitos computadores não tinham discos rígidos e podíamos ligar nossa máquina e carregar o sistema operacional e tudo mais com discos flexíveis. Os vírus tiraram proveito desses três fatores para criar o primeiro programa de auto-replicação.
Os primeiros vírus
No princípio, os vírus eram fragmentos de código acoplados a um simples programa, como um jogo popular ou um processador de textos qualquer. Um usuário poderia baixar um jogo infectado de um bulletin board e executá-lo. Um vírus como este é um pequeno trecho de código embutido em um verdadeiro programa maior. Qualquer vírus é projetado para ser executado primeiro quando o verdadeiro programa é executado. O vírus se auto-carrega na memória e passa a procurar ao redor para ver se pode encontrar qualquer outro programa no disco. Caso encontre um, ele o modifica adicionando o código do vírus no programa insuspeito. Em seguida, o vírus dispara o "programa real". O usuário não tem a menor chance de saber que o vírus alguma vez já foi executado. Infelizmente, o vírus já se reproduziu e agora dois programas estão infectados. A próxima vez que qualquer dos programas for executado ele infectará outro programa, e o ciclo continua.
Se um dos programas infectados for passado a outra pessoa em um disco flexível ou for carregado em um bulletin board, outros programas serão infectados. Assim os vírus se propagam.
A propagação é a fase de infecção dos vírus. Os vírus não seriam tão temidos assim se tudo o que fizessem fosse replicarem-se. Infelizmente, a maior parte dos vírus também tem a fase destrutiva de ataque em que produzem algum dano. Algum tipo de gatilho ativava a fase de ataque e o vírus então "fazia algo", como apresentar uma mensagem tola na tela ou apagar todos os seus dados. O gatilho pode correr em uma data específica, depender do número de vezes em que o vírus tenha se replicado ou qualquer outro fato semelhante.