Web 2.0 é um termo usado para definir a chamada segunda geração da internet, fortemente marcada pela interatividade, pelos conteúdos gerados por usuários e pela personalização de serviços. Alguns exemplos de sites típicos dessa geração são os blogs (e as variações fotologs e videologs), as redes sociais e os sites de compartilhamento de arquivos. Para entender a segunda geração da internet, é preciso relembrar como foi a primeira.
Nos primórdios da exploração comercial da internet, na segunda metade dos anos 90, o modelo de negócios era bem diferente do que conhecemos hoje em dia. Jovens “nerds” conhecedores de informática ficaram ricos oferecendo pela internet toda sorte de serviços com um atrativo irresistível: a praticidade.
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Assim como na vida “real”, a maior parte dos serviços oferecidos na internet era paga, como endereços eletrônicos, sites de notícia e jogos. O dinheiro gasto pelos usuários era a base da renda das empresas virtuais (as chamadas “pontocom”, por conta do sufixo “.com” no endereço da URL).
As empresas, por sua vez, tinham gastos pífios: o custo de abrir ou fechar um negócio era o de colocar ou tirar o site do ar. Foram eliminados os gastos com aluguel de escritório e com funcionários (grupos pequenos de fundadores davam conta do recado).
O sucesso das empresas de internet e as perspectivas de um futuro brilhante atraíram bilhões de dólares de investidores visionários. Investia-se em idéias, e não em estrutura real. No início dos anos 2000, porém, a bolha pontocom chegou ao seu limite.
Em meados de maio, o índice Nasdaq Composite da bolsa norte-americana de ações, na qual eram comercializados os papéis de muitas dessas empresas, ultrapassou os 5.000 pontos, mais que o dobro do registrado no ano anterior, por causa dos investimentos especulativos nas empresas de internet. Depois desse auge, veio a queda.
O fenômeno conhecido como estouro da bolha pontocom foi uma onda de falências de empresas virtuais e a conseqüente desvalorização vertiginosa das ações listadas em bolsa. Muita gente perdeu dinheiro e desacreditou o futuro da internet. Mas a web não estacionou aí.
A desvalorização da bolsa seguiu até 2002, quando perdeu força. A quebra da bolha causou uma “ressaca”, um ambiente mais ponderado que possibilitou o nascimento de uma segunda geração da internet, a tão famosa Web 2.0.
O nome “Web 2.0”
Algumas empresas atravessaram o estouro da bolha pontocom e saíram ilesas. Por quê? Era isso que Tim O’Reilly, presidente e fundador da editora O’Reilly Media, queria entender, quando marcou uma sessão de brainstorm com o pessoal da MediaLive International em 2004.
Eles analisaram os modelos de negócios de empresas como o Google e a Amazon.com e esboçaram uma lista de pontos em comum responsáveis por esse sucesso, e que serviam como uma espécie de retrato falado das novas regras da internet. A esse conjunto, O’Reilly chamou de Web 2.0 (que significa segunda geração da internet).
![]() O site O'Reilly Media é o primeiro exemplo da Web 2.0 no trabalho |
O principal diferencial das sobreviventes é que elas encaravam a internet como uma plataforma (arquitetura ou padrão de um tipo de computador, ou de um sistema operacional) e não como um produto. Isso significa ver a web não como mais um programa, e sim como algo sujeito a alterações, um ambiente onde o usuário não acessa dados simplesmente, mas pode criar e editar conteúdos.
Dessa forma, essas empresas encontraram um jeito de tirar proveito da inteligência coletiva, permitindo que usuários colaborem com elas na construção e no desenvolvimento de produtos, serviços e conteúdo.
A possibilidade de ler opiniões de consumidores antes de decidir comprar algum produto foi a chave de seu sucesso da Amazon.com. O site permitia que os compradores avaliassem os produtos adquiridos, atribuindo pontos e publicando mensagens escritas. A média dos pontos era exibida ao lado do produto. Além disso, a empresa combinava informações sobre os hábitos de consumo e fazia recomendações do tipo “consumidores que compraram este produto compraram também este”, o que certamente contribui para alavancar as vendas.
Uma pesquisa de fevereiro de 2008 da PowerReviews e do grupo e-tailing, ambas empresas ligadas ao e-commerce, mostrou que quase 90% dos consumidores online dos EUA lêem “pelo menos de vez em quando” resenhas de outros consumidores antes de fechar uma compra. As críticas funcionam como marketing quando boas e, mesmo ruins, podem ser úteis. Não dá para impedir que critiquem seu produto, mas dá para participar e responder, segundo Josh Bernoff, analista da consultoria Forrester Research. Diante de uma resenha negativa, a empresa pode detectar (e arrumar) um defeito no seu produto, entender o que deixa o cliente insatisfeito e se mostrar aberta ao diálogo. |
Já o Google fez sucesso por oferecer um serviço capaz de localizar na imensidão dos sites da internet as informações que o internauta buscava. Seu serviço era uma combinação de um imenso banco de dados e um robô que vasculhava tudo levando em conta a relevância dos sites em relação às palavras-chaves pesquisadas. Mais tarde, a empresa enveredou pelos mercados de publicidade virtual, serviço de e-mail e softwares online.