O interesse comercial na Web 2.0 está presente desde seu início – o próprio termo surgiu em uma reunião de negócios. Como se ganha dinheiro com a Web 2.0?
Comecemos esclarecendo uma coisa: não adianta querer cobrar o internauta por serviços ou conteúdo; ele não quer pagar. Praticamente todo conteúdo da web pode ser encontrado de graça. Cobrar funciona para alguns sites de notícias e games online, mas para a grande maioria dos sites, não.
O que acontecerá se um site cobrar por um conteúdo (como notícias, músicas, fotos) é que outro o oferecerá gratuitamente. Em certos casos, é até possível brigar na justiça pelo direito de exclusividade, mas isso não impedirá que o material seja livremente distribuído pela internet. As únicas hipóteses em que cobrar é viável são quando o produto, o serviço ou a solução é um conjunto de software com hardware (ou seja, contém partes físicas, materiais, o que implica custo) ou quando oferecem uma inovação exclusiva que não pode facilmente ser copiada por outros.
É impossível impedir que os internautas troquem entre si os dados que desejam. Entre o fim de abril e o início de março de 2007, vazou na web um conjunto numérico que seria capaz de desbloquear filmes em HD-DVD para cópias. Um dos sites em que o número mais apareceu foi o Digg, onde usuários replicam notícias e votam nas mais interessantes, formando um ranking. A organização responsável pela proteção de direitos autorais (Advanced Access Content System Licensing Administrator - AACS LA) foi atrás do fundador do Digg, Kevin Rose (e também de empresas que ofereciam serviços de blog), e exigiu que os posts com o código-chave fossem removidos.
Sob ameaça de ser processado, Rose tratou de se mobilizar para deletar as mensagens que continham o número. Os usuários, porém, continuaram postando novamente o código e o colocando no topo do ranking. Rose percebeu que nem que quisesse poderia controlar a comunidade que ele mesmo havia fundado. No fim do dia, ele mesmo postou o código, dizendo que entendendo que a vontade dos usuários era que o site não se curvasse diante de tal proibição, os posts com os números não seriam mais deletados e que “se perdermos, pelo menos teremos morrido tentando”. Um exemplo mais próximo dos brasileiros é o caso Cicarelli x YouTube. A modelo Daniela Cicarelli entrou na justiça contra uma série de sites (de notícias e YouTube) por conta da divulgação de um vídeo em que ela aparecia em cenas de sexo quase explícito com o namorado (Tato Manzoni) em uma praia. Os sites de notícia obedeceram às determinações do juiz de tirar o material do ar sem pestanejar, mas com o YouTube foi diferente. Enquanto a administração apagava as postagens do vídeo, os usuários o colocavam novamente no ar. Um mandado judicial chegou a tirar do ar o site todo durante algumas horas, mas o vídeo continuou sendo divulgado em outros sites de compartilhamento e o YouTube voltou ao ar. |
Existe um grande grupo de internautas que produz conteúdo gratuitamente. Para Chris Anderson, inventor da Teoria da Cauda Longa, o dinheiro não é a principal motivação das pessoas na internet. O que move usuários que colaboram é o interesse próprio, que inclui ganhar dinheiro, mas também a vontade de se expressar, de se sentir parte de uma comunidade, de ter sua opinião reconhecida.
Mas e as empresas de internet? De onde vem o dinheiro que as sustenta? Da publicidade.
Os sites vendem espaços publicitários para anunciantes. Os preços pagos variam de acordo com o tamanho do espaço, número de acesso dos usuários e cliques nos banners. Outra possibilidade é um varejista online colocar anúncios em outro site e pagar uma espécie de comissão sobre as vendas.
Programas como o Google Ads e o brasileiro Links Patrocinados UOL permitem até que donos de sites pequenos, como blogs, vendam espaço publicitário em seus sites pessoais sem muita complicação. O pagamento, nesse caso, é sobre o número de cliques.
Nesse modelo, todo mundo ganha: os sites ganham com os pagamentos, os anunciantes têm seus produtos divulgados a públicos específicos e os internautas têm acesso a bons conteúdos gratuitamente.
Os internautas também têm outra opção rentável: usar as ferramentas da Web 2.0 para impulsionar sua carreira. Um profissional pode usar seu blog para construir uma reputação e consolidar-se especialista em determinado assunto. Edney Souza, blogueiro profissional pós-graduado em Tecnologia da Informação, vive de seu portal de blogs (Interney), e conta que a tendência é o blog (dependendo da qualidade do conteúdo e da “popularidade”) abrir portas para outras fontes de renda, como dar palestras e escrever artigos para revistas e outros sites.